Delírio dos verbos


“No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo”. O delírio do verbo estava no começo, quando me surgiu uma idéia, por que não mudar a função dos verbos? Desejar, sentir, surtar, enlouquecer, amar, brigar, transferir os sonhos e suas funções de apenas interpretar ações. Tirar do papel e fazer acontecer, o escutar não esta nesse pequeno pedaço de escrita, mas sim na sua função de ser um som. O desejar não esta apenas nos olhos de quem deseja, mas na volúpia entre os corpos questionados. O transar não esta apenas na imaginação de quem pensa dois seres entrelaçados, mas na junção deles em uma única alma em torno da vontade e do prazer. Pois, enfim, os verbos não podem ser apenas desajeitados, ou arrumados, eles precisam ser revestidos da mais pura intenção de concretizá-los. “O verbo tem que pegar delírio”.

Rapha.

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