Conjecturas de uma solidão


Tudo está acabando, ninguém mais me pertence, onde estou? Acredito que perdido. Por que insistiu em me deixar? Deveria ter me matado em quanto tinha chance, chega ser insuportável viver sem você, onde eu poderia encontrar algo como você no mundo? Ele já não cabe mais em minhas vontades, principalmente quando não estás nele. Naquele momento em que atravessou o ar quase que gélido, por entre a porta, pensei e desejei minha morte. Iria te implorar a morte, a minha morte, as palavras estavam na língua loucas para saltarem – Atira em mim, depois de morto você me come – era esse meu sonho, mas as palavras não saíram, até hoje me envergonho da minha covardia, sou humilhado constantemente pelo meu consciente que almeja a morte, ela quer que me sucumba definitivamente, agora você não mais me pertence e agora sinto a solidão.

Essa solidão agora ronda meus tímpanos, o som que não mais escuto por entre a relva do meu quarto sombrio, tempestade nublada de sonhos agora impossíveis que ficaram apenas na promessa de nossos pensamentos, suas fotografias agora jogadas no canto escuro do meu armário, elas são facas que cortam as etapas da minha vida, toda vez que as olho tudo é dissipado, perdido. Gostava de te ver sorrir, mas agora é passado, passado que insiste em ainda permanecer nos recantos da minha mente, como eu queria que existisse algo que tomasse para apagar minha memória. Por que ainda não inventaram algo tão útil como isso? Memórias petrificadas não mais largam de mim, ficaram esculpidas de forma eterna em minha carne que até hoje necessita desesperadamente sentir novamente seu cheiro, o pudor das suas falas que me fazem arrepiar.

Ajudar os outros é o mais sábio dos egoísmos, mas nunca pensei assim, sempre te dei toda a minha gratidão, tudo foi feito para você, nunca pensei em mim, cada gesto, cada bondade que lhe fazia era apenas para ver seu sorriso, te fazer feliz era minha maior satisfação mesmo que no fundo eu sabia que não me amava. Agora você se foi, me resta apenas à solidão.

Continua … Rapha.

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