Amor, morte e saudade!


polaroidrapha

 

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Sempre soube que sentimentos não pudessem ser transformados em valores, ou melhor, tentar converter um gesto de carinho, respeito, atenção e amor em dinheiro; até anteontem. Não quero transformar esse texto em julgamento do que é certo e errado, não quero tentar explicar um valor de moralidade ou, quem sabe, a falta ou não de ética individual, isso não tem nada haver, até porque varia e depende exclusivamente do senso critico de cada um, como indivíduo formador de opinião.

Eu prometi esquecer esse fato transcorrido, mas antes disso, ele resultou nesse texto que tento de forma penosa desdizê-lo, ou seja, não era para ter acontecido, mas é apenas uma tentativa de demonstrar o quanto estou errado. “Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram” já dizia Voltaire. Eu assumo que errei muito, fiz muitas besteiras e colhi algumas consequências verdadeiras ou não, dependendo do ângulo analisado. Como sempre estou disposto a fazer de tudo, até o impossível, fazer acontecer, que tudo sempre dê certo.

Sentimentos não são formadores da perpetuação financeira, ao contrário, são tentativas de demonstrar o tamanho de nosso amor por algo ou alguém. Nesses dias em meu MSN, tenho demonstrado através de frases subsequentes o tamanho desse amor que sinto por um amigo, acredito e acho isso interessante é que todos pensam de forma estranha sobre essa declaração. Acham que estou apaixonado por uma pessoa, para ser mais preciso um homem, mas isso em nada tem haver, para aqueles que já me perguntaram o porquê disso, eu volto a reafirmar, é apenas uma forma de contabilizar um amor para com um amigo, e para aqueles que não sabem, fica então a deixa.

É Interessante observar o quanto a sociedade é ignorante ou hipocrática, logo como não é normal um homem enfatizar seu carinho por outro e sua gratidão, é tachado como algo complexo de se entender e ignoram o real sentido de dizer “Eu te amo, meu amigo”.

Lendo um artigo recentemente do Dr. Rogério Brandão, onde uma criança em estado terminal relata o que é a morte para ela, percebi o quanto estamos distantes do verdadeiro amor e a falta de declarações para com nossos amigos. A criança conta que não tem medo de morrer, mas fica triste por ver sua mãe saindo do quarto pra chorar escondida. “Quando eu morrer” diz a criança, “acho que ela vai ficar com muita saudade de mim”. Fico imaginando o quanto perdemos tempo em quanto vivos para dizer “eu te amo”, o fato de está apaixonado não conta, não existe somente esse tipo de amor. Saudade, amor e morte estão totalmente ligados, são intimos em espécie.

Voltando a criança, o médico a interpela o que seria saudade no ponto de vista dela, “saudade é o amor que fica”, ela responde. Isso me deixou intrigado por um bom tempo. Hoje, aos 20 anos de idade, desafio qualquer um dar melhor definição, mais direta e mais simples para essa palavra. “Saudade: é o amor que fica”. É neste exemplo de amor que temos que nos apegar, nos unir e nos fortalecer, pois só o amor constrói, renova e multiplica de uma forma inacreditável. Apesar de nossos altos e baixos como amigos, de nossas discussões e, algumas vezes, questionamentos sobre abandono, ainda estamos aqui e ainda o amo muito, amo de mais.

A morte sempre nos cerca, mas quero antecipar todo o meu carinho antes que ela aproxime. E quando ela chegar, esse amor, com certeza, será transformado em saudade.

 

Rapha Fernandes

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