Caso antigo ou coisa nova?


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A sociedade contemporânea possui uma grande característica que é a comunicação dita como “liberal”, ou seja, devido os atuais tempos, mensagens consideradas “agressivas” outrora, como SEXO, é levada naturalmente nos meios comunicacionais ou nem tanto. Através desses meios e a própria comunicação, as pessoas ficam sabendo das últimas notícias, acontecimentos, novidades sobre pessoas, produtos, serviços, entre outros.

Outra característica importante e marcante na comunidade “global”, é o intenso desejo de consumir, seja por bens indispensáveis para sua subsistência ou os supérfluos. Contudo, é através dessa comunicação que incitamos desejos e levantamos questionamentos no público, principalmente quando se trata de publicidade. Entretanto, publicidade não é apenas informação, é persuasão. Ao veicular-se um anúncio publicitário não se espera apenas informar o consumidor, mas sim transfigurar uma mensagem em venda. Causar “frisson” no mundo social.

Tendo como exemplo o comercial das Havainnas que, devido seu “sutil” posicionamento, acarretou em sua retirada tão repentina. Por mais que possamos entender e vivenciar um mundo mais “aberto”, sem preconceitos e polemicas no âmbito da comunicação, nem tudo pode se tomar como partido de aceitação total da população, sabendo que a moralidade é construção individual, podendo ferir princípios únicos. Logo, foi “censurado” (retirado) o comercial, onde a avó expressava uma visão moderna de relacionamento. A principal fonte de polêmica se deu em virtude da personagem aconselhar a neta a “ficar” (sexo casual) com o ator Cauã Reymond, em vez de pensar em casamento. É triste enxergar como o brasileiro ainda se comporta de forma retrógrada diante de situações que deveriam ser encaradas com maturidade. Assim foi censurado o criativo e bem-humorado comercial das Havaianas.

O motivo para a retirada repentina aconteceu depois de várias reclamações de telespectadores e da abertura de um processo no Conar, conselho que regulamenta a publicidade, contra a propaganda.

Foi uma grande surpresa para Lúcia Berta, de 84 anos, atriz que interpreta a “Avó” no comercial. “As pessoas estão desatualizadas. Sexo está na boca de todo mundo, como bala na boca de criança”, diz a atriz.

Porém, apesar de alegarmos novidades nos pensamentos da sociedade, é cada vez mais comum as empresas e entidades se preocuparem com os direitos do consumidor. Hoje fato principal de punições. E a aplicação do Código de Defesa do Consumidor se torna mais rigorosa e freqüente em decisões judiciais.

Assim, mesmo considerando a campanha com um excelente aproveitamento de idéias e venda de conceitos únicos e modernos posicionando a marca como fonte de inspiração e status, não podemos fugir do abuso ofertado pela mesma. Mesmo sendo publicitário totalmente a favor de sua veiculação, podemos caracterizar esta publicidade como abusiva de acordo com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça.

Assim uma publicidade pode ser considerada abusiva quando gerar discriminação (por sexo, cor, raça, idade, origem social etc) ou se provocar violência, por exemplo. Além disso, caso uma propaganda explore algum medo das pessoas ou mesmo uma superstição, também pode ser considerada. O ato de aproveitar-se da falta de experiência das crianças também está incluído na lista. Por fim, desrespeitar os valores ambientais e sociais, além de induzir o consumidor a um comportamento prejudicial à saúde e à segurança fazem parte das características possíveis da publicidade abusiva. (Art. 37, §2.º do CDC).

A exibição, que iniciou na TV, agora fica restrita à web. Assim, foi gerado um novo comercial que, acredito, seja o mais ideal. Lúcia (atriz) gravou outra propaganda, já no ar, explicando que o anúncio pode ser visto agora só na internet: “O slogan da marca é ‘Todo mundo usa’. A propaganda tem que atingir a todos. Muita gente elogiou, mas como teve gente que não gostou, retiramos do ar”, diz Marcello Serpa, diretor geral de criação da AlmapBBDO. Agência criadora da campanha.

Nesta segunda campanha, não mais nos deparamos com abusos, e sim, com eloqüência de mensagens diretas e o não “rebaixamento” do posicionamento ofertado desde a primeira peça. Porém, publicidade nasceu para isso, causar polêmica e gerar conflito de interesse, assim vender um produto fica mais fácil. Seja antigo ou novo, tudo é mais gostoso.

 

Rapha Fernandes

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