Um dia…


polaroidbeta

Tem dias em que percebemos o mundo com olhos que não parecem nos pertencer, e isso acontece quando menos se espera. Hoje a caminho da aula me deparei com uma cena no mínimo tocante. Estava sentada  no ônibus e em uma de suas paradas – em frente de uma clínica – havia uma senhora, um senhor e uma jovem… na minha visão periférica diria que se tratava de um homem na faixa dos seus 65 anos, sua esposa e sua filha.

Bem, ele tentava – com a ajuda das duas e mais sua bengala de madeira – subir o pequenino degrau entre a rua e a calçada, um pé na frente, com o qual ele tentava frustradamente se apoiar, enquanto o outro pé parecia não querer colaborar, deixando o senhor exatamente no mesmo lugar, com uma expressão de esforço, raiva e impaciência no rosto.

Percebi que não somente eu atentei para a situação, muitos outros passageiros no ônibus ficaram com os olhos petrificados  naquele instante. Quando começamos a andar novamente em direção a próxima parada, uma moça sentada a minha frente olhou para traz como se buscasse um olhar amigo, como se quisesse buscar a resposta, a explicação para o que todos acabávamos de ver, mas parecia que cada um havia presenciado uma cena diferente.

Depois disso foi impossível não ficar remoendo toda aquela imagem na minha mente, me fez perceber que nós acordamos todos os dias e apenas abrimos os olhos em um movimento mecânico que nos diz para fazer isso. Nós levantamos, comemos, trabalhamos e estudamos sem ter pura consciência do que ocorre conosco e com os que nos cercam. 

As vezes me acho uma boba, mas na verdade é a felicidade que encontro nas coisas simples da vida que deixam a gente parecendo “passarinho verde”…hehe… como certo dia em que só ao ver um beija flor – literalmente “planando” acima da minha cabeça – abri imediatamente um sorriso no rosto que permaneceu pelo resto do dia.

Vamos tentar ver as coisas pequenas, simples e bobas como um grande passo para a felicidade própria e para o bem estar comum, assim como eu vou torcer para que aquele senhor do começo desse post tenha conseguido subir a calçada, pois esse foi o desafio dele, o que pra gente é algo tão pequeno, pra ele pode ter sido O mundo.

– acorde e ria por acreditar que deve levantar sempre com o pé direito (o dia sempre parece melhor com isso, dá sorte sacou?!)

– olhe pra o céu azul de cada manhã como se fosse o mais belo rabisco que já fez quando criança

– experimente chegar em casa cansado, estressado e abusado. Solução? Se esparrame no chão da sala como um gato velho e preguiçoso.

…invente as suas também.

image0042

Anúncios