A cautela dos tempos modernos


Tempo é palavra de muitos significados, e em alguns deles empregado como sinônimo de passado, ciclos, duração, eras, fases, momentos ou mesmo história, o que contribui para o obscurecimento das discussões em relação ao tempo/espaço na vida de cada indivíduo neste planeta.

Para cada civilização e cultura, há uma noção de tempo, cíclico ou linear, presentificado ou projetado para o futuro, estático ou dinâmico, lento ou acelerado, forma de apreensão do real e do relacionamento do indivíduo com o conjunto de seus semelhantes, ponto de partida para a compreensão da relação Homem – Natureza e Homem – Sociedade na perspectiva ocidental.

Nesses novos tempos ao qual somos derrocados para um engrandecimento de palavras desnecessárias, compreendemos que precisamos ter cautela com o entremeio da relação do tempo com a vida de certos indivíduos. Hoje, por mais que possamos dizer que vivemos num mundo “neoliberal”, ficamos petrificados quanto ao dimensionamento da relação cultural apresentada pelo autoritarismo da sociedade. Assim, aquela pessoa que apresenta distinção racial, econômica e até mesmo de idade se classifica como detentora da verdade antes alheia.

Antes de tudo quero deixar claro que não sou racista, muito menos abastardo de valores econômicos e muito menos apresento uma idade avançada, quero apenas enaltecer o quanto estamos presos numa teoria que não é necessária ter como padrão de acolhimento intelectual. Tendo como exemplo clássico uma pessoa negra, sem dinheiro e com sua idade avançada – estereótipo digno de Alagoas – compreenderemos o quanto a sociedade utilizou de recursos por menores para amenizar o caos social. O que era antes considerada uma pessoa “preta, pobre e velha”, hoje encontramos “afro-descendente, desprovida de recursos financeiros, na melhor idade”. Não compreendo até que ponto somos tão ignorantes, temos tendências a rotulagens e a pré-julgamentos humanos.

Por fim, do que vale ser tão passível a complexidade social se toda forma de compreensão se limita a um estreitamento de julgamentos antes analisados? Não existe um determinismo a seguir, apenas padrões que fogem da realidade do livre arbítrio rotulado. Assim, todas estas transformações marcam as relações dos homens com o passado e futuro, e atuam em seu presente tanto em seus atos como nas formas de percepção.

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