QUENGAS


Foto: Mais do que um comportamento, tem quenga que faz disso um estilo de vida.

Comportamentos iguais. Julgamentos diferentes.

Esse foi um tema que abordei em uma das aulas do curso de férias da ESPM. Após ter conversado com uma colega que morou 12 anos nos EUA, percebi que a diferença cultural é mais do que intrigante, chega a ser engraçada.

Nós alagoanos sabemos que na nossa região – e em qualquer outra cidade pequena, com cultura mais “careta” -, as mulheres que bebem demais a ponto de dar PT em público, ou as que ficam com vários homens de um mesmo grupo, as que estão sempre trocando de namorado ou não se importam nem com o que vão pensar ou dizer dela, tem sempre a facilidade de cair na boca do povo.

Como quase todo mundo se conhece,é bem fácil saber tudo que você fez, seja certo ou errado. Assim como é bem mais fácil você ser motivo de críticas.

Nós temos a gíria “piriguete” para nomear essas moças mais desprovidas de moral, vergonha, ou seja, lá o que for. São mulheres conhecidas também como: fáceis, interesseiras, ou quengas.

Bom, enquanto isso em muitos lugares pelo mundo afora, assim como relatou minha coleguinha, as moças podem e devem ter os mesmos direitos dos homens. Bebem até cair, namoram quantos e como quiser e jamais serão mal vistas por isso.

Outra curiosidade que observei foi a de que nós brasileiras, sobretudo nordestinas, especificamente alagoanas, crescemos em um modelo de criação onde a mulher nasce para casar e servir ao homem (claro que isso vem mudando, a mulher está cada dia mais independente).

Isso se pode constatar quando vemos uma jovem moça de 29 anos que ainda não casou. Probrecita hahahahaha deve sofrer muito consigo mesma e com a pressão cultural que a tem como uma encalhada, velha demais ou a que ficou pra titia.

Nós fazemos uma ligação direta entre casamento e felicidade, aos poucos isso vai deixar de ser lei, pelo menos acredito muito nisso, mesmo sendo eu a primeira a fazer essa união de assuntos. Sempre sonhei em casar, já planejei todo meu casamento (na praia) e sonho com o doce lar e a bela família capa de revista.

Voltando ao assunto principal, eu concluo que não existe modelo certo de comportamento, cada cultura tem seus princípios, na minha cidade (na minha percepção, criação) uma mulher que faz coisas como as citadas acima não será nunca levada a sério, os homens daqui também pensam isso e já as separam em: “essa é pra casar” e “essa é para usar”. Já em outros lugares a minha criação poderia ser julgada como ultrapassada, exagerada, infeliz e cruel. Cabe a cada um sabe o comportamento que lhe convém.

Quanto às doces quengas, nós sabemos que seus interesses estão diretamente ligados ao poder aquisitivo dos bobos moços (ou espertos, depende da visão) e que estão presentes em todo e qualquer lugar, mas aqui é bem mais fácil chegar a esse título, disso, eu tenho certeza.

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