Carta para um amigo!


Querido Amigo,

Lembro muito bem do primeiro dia em que vi o mar e sentir a imensidão dele sobre mim. Engraçado sentir-se pequeno no meio de um vasto lugar, a gente se sente acuado e complexado pela natureza divina criada pelo universo, somos simples criaturas perdidas em um terreno maior. Um grão de areia desvairado na praia. Isso me faz lembrar o nosso encontro, um mundo inteiro e no meio disso uma incidência, duas pessoas perdidas se chocam no espaço.

Não fora apenas um encontro casual de pessoas sem sentido. É algo mágico. Foi o segredar de sonhos interrompidos ou foram motivos que nunca cabem nos conceitos das palavras, mas que extrapolam o limite do desencontro porque pertencemos a alguma coisa que não sabemos dar nome, só sabemos que no fundo se parece com amizade, mas é algo muito maior que isso.

Seu surgimento foi uma visita agradável que recebi e até hoje corroboro para que essa visita em meu coração já mais saia do espaço já reservado. Ela chegou quando não a esperava e quebrou a lógica da minha vida e a sequência do meu cotidiano. Floresceu diante de meus olhos, assim como o palhaço faz brotar o sorriso no rosto de uma criança.

Meu caro amigo hoje compartilhamos momentos, cada encontro uma felicidade, uma tristeza, uma contradição, uma ajuda, um conselho, uma adversidade, um atraso, uma saudade e, no fim, um amor! Não temos segredos para esconder porque amigos sabem quando se tornam amigos. Essa é a verdade. Não existem regras muito menos mistérios.

A amizade cobra um alto preço de dedicação, constatação e contemplação. Por isso a amizade não é obrigação muito menos cobrança, não nos faz ser forçados a dizer algo a quem amamos pela pura necessidade, mas sim por vontade de amar e pelos desejos de compartilhar emoções. Muitos erram ao pensar que aspirações devem ser individuais, mas gosto de acreditar que dividir sonhos é a melhor solução, pois sonhos criam laços ainda mais fortes, é procurar juntos novos desafios e conquistas, pois o caminho da procura é mais rico do que o da descoberta. Isso me faz lembrar Drummond, ele já dizia: O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. É de mãos dadas que gosto de viver. Sei que sofro minhas solidões e minhas ausências, mas sofro de mãos dadas, isso eu sei. Gosto da ideia de ter você ao meu lado, sua amizade complementa todo um sentido literário da minha essência.

Agora nós dividimos unicamente de momentos de vidas únicas. Obrigado por cada segundo que perdeu comigo ouvindo minhas idiotices, por cada palavra que usou para me dar forçar. Já lhe disse que sua amizade é incondicional, cada vez repito sempre mais. Mas, antes de terminar, já que falei de amores e esquecimentos, lembrei de outro verso que quero compartilhar contigo, de outro grande mestre da arte das palavras, Mário Quintana.

É com esse pequeno verso que me desgarro de grandes despedidas. Para em ocasiões futuras.

Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.

Adoro-te, Rapha.

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