A morte de mais um ano


Morrer. Morrer é um exagero. Morrer é uma transgressão. Não como em contos de fadas, mas em historia real, da historia do acabou, até nunca mais. Todo dia morremos, a cada dia que passa, cada hora, minuto. Ousamos a ficar sempre velhos na medida do tempo. Em cada ano velho que passa um número se acrescenta, contra nossa vontade, na contagem limitada de nossa mera vida! Um ano que morre, vira passado e só retoma a consciência porque sabemos que existe uma memória para valer essas lembranças.

Ano. Imaculada concepção de que podemos tudo. 365 dias para saber que nunca aprendemos a dar valor a um determinado instante. 24 horas de momentos que podem ser eternos, mas não são, pois nunca fazemos dele, o dia, um momento mágico para ser fonte de eternidade, alvitres. Ano, soma de todos os dias calculados num momento mágico que fornece emoção temporal para aqueles que vivem com base no tempo.

Um ano está para morrer, outro para surgir. Ciclos infindáveis de oportunidades inúmeras. Sempre teremos mais um ano para fazer o que não fizemos no anterior. E, assim, passamos pelos anos, mortes, morrem, morreram anos diversos e você ainda não fez nada da sua vida para que possa ter o orgulho e vontade de gritar: “Sim, fiz isso por mim. Pelo meu amor, por minha vontade de viver”. Você não é merecedor de um Novo Ano, você viola o direito constitucional do dever, obrigação de ser melhor.

Para ser merecedor, já dizia Carlos Drummond de Andrade:

“Para ganhar um Ano Novo, que mereça este nome,você, meu caro, tem de merecê-lo,tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

Sim, meu caro amigo, você precisa ser merecedor para presenciar a morte de um ano, e muito corajoso para ver o nascimento do próximo. E, se for corajoso o bastante para mais um novo ano, como já diz Drummond, invente, renove, experimente, mas faça isso consciente dos seus atos. O que se planta se colhe no futuro.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão. Que cada ano que morreu em minha vida foi vivido com intensidade, alegria, amor, raiva, dor, sofrimento, compaixão, lágrimas, vontades, desejos, necessidades. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida. Perdoe.

O AMOR pode até existir, amor que vale a pena se doar, se entregar. Então faça a morte de cada ano um novo começo para se amar. Ame suas amizades e às pessoas, a vida é bela sim, e dê o melhor de si, faça de cada velho ano um momento para dizer que valeu a pena!

Que 2010 seja enterrado com todo valor e honra que ele possa merecer.

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