Oração da Gestalt


O texto abaixo é conhecido como Oração da Gestalt (linha/abordagem da Psicologia) e apesar de algumas pessoas perceberem o mesmo como egocêntico e individualista, prefiro entender que se trata de uma maneira realista de viver em sociedade e consigo mesmo. Pois, considerando que cada pessoa é um universo, a melhor coisa que podemos fazer para nos entender é respeitar as idéias e a maneira de ser das pessoas com quem convivemos. É manter as coisas num nível de respeito e “aceitação” que possibilite que estes universos vivam proximos (“com vivam”).

 “Eu faço as minhas coisas e você faz as suas.
Não estou neste mundo para satisfazer as suas expecativas
E você não está neste mundo para viver conforme as minhas.
Você é você, eu sou eu.
E se por acaso nos encontrarmos, é lindo.
Se não, nada há a fazer.”

Explicitando melhor cada parte da oração:

Eu sou eu”: o primeiro pré-requisito para qualquer relacionamento maduro e saudável, seja ele pessoal ou profissional é que eu saiba quem sou, que eu reconheça e aceite todas as partes que compõem minha individualidade (tanto minhas qualidades e recursos, quanto meus defeitos e limitações), e que eu assuma totalmente a responsabilidade por tudo que sinto, penso e faço.

“Você é você”: o segundo pré-requisito (que depende do primeiro) é ser capaz de ver o outro, reconhecer o outro como outro, diferente de mim e respeitá-lo apesar das diferenças.Temos a tendência de projetar nossos sentimentos, expectativas, conflitos, significados, na outra pessoa, principalmente quando não temos uma consciência clara desses aspectos. Interpretamos muitos comportamentos das outras pessoas como algo dirigido a nós, quando, na maior parte das vezes, esses comportamentos têm a ver com o referencial delas, não tem nada a ver conosco – Lembrem-se algumas coisas não são pessoais!!

“Eu faço minhas coisas, você faz as suas”: costumo comparar as pessoas envolvidas num relacionamento com dois círculos. Se eles estão completamente separados, não existe relação. Se eles estão superpostos, isso configura uma confluência (fusão, simbiose), em que a individualidade está anulada. Se eles têm um espaço de intersecção, existe uma interdependência – cada um tem o seu espaço individual, em que desenvolve seus próprios interesses e preferências, e existe o espaço comum em que fazem coisas juntos e compartilham experiências.

“Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas, e você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas”: Implica na consciência de que nem sempre vamos agradar e que discordar não é sinônimo de discórdia e sim de pensar diferente. Ninguém consegue sufocar suas verdadeiras necessidades, pensamentos e opiniões para sempre!!

“E se por acaso nos encontramos, é lindo. Se não, nada há a fazer”: este final considerado, às vezes pessimista, simplesmente afirma uma verdade. Ninguém pode se obrigar a querer aquilo que não quer, a ser aquilo que não é, a passar por cima dos seus limites, a ceder onde não dá para ceder. E, por mais que tenham afinidades as pessoas jamais conseguirão ter as mesmas necessidades, na mesma hora, com a mesma intensidade…O que podemos fazer é expressar diretamente para a outra pessoa o que pensamos, sentimos e desejamos, e permitir que o outro também se expresse livremente., isso se chama respeito!!! Colocando assim as cartas sobre a mesa, podemos então tentar chegar a um consenso e às vezes, o melhor consenso a que conseguimos chegar é “Concordamos que discordamos…”
Se houver verdadeiro respeito e aceitação pela individualidade do outro, poderemos estabelecer relacionamentos mais transparentes, maduros e harmônicos. Se, no entanto, constatarmos que o abismo entre as nossas expectativas e as do outro é muito grande, talvez seja melhor reconhecer isso, nos despedirmos com gratidão e cada um trilhar o seu caminho, com outros companheiros de viagem.

BOM PROVEITO!!

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