E se fosse verdade


Leia esse texto escutando essa música:

Não, definitivamente não posso dizer que tudo na vida seja uma verdade absoluta, mas posso sonhar, delirar e abrilhantar minha alma, meus sonhos, minha vontade com fantasias de um mundo totalmente meu, vivido e trabalhado na instâncias da mente. Não posso te dizer o que fazer, ou que deve pegar o caminho mais curto em vez do mais longo, nem tão pouco dizer que deve seguir mais o seu coração em vez da tua razão.

Toda verdade é acompanhada de dúvidas, sejam elas cruéis e dolorosas ou tranqüilas e amenas. Mas geralmente a verdade machuca, pois é acompanhada de palavras dilacerantes, que corta e sulcam os desejos, as alegrias ou quem sabe até as tristezas e a depressão. Mas posso dizer também que essas mesmas verdades são atormentadas por duas palavras que conquistam os melhores contextos sociais. Palavras que fazem mudar o seu pensamento, sua ideologia, fazem fomentar e regurgitar a verdade na sua mente. Dizer que essas palavras mutilam a própria verdade. “E se” não fosse verdade? O “E” e o “se” fazem o maior estrago quando se aproximam, quando estão juntos.

Uma vez Millôr Fernandes escreveu: “Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.”

E se a vida durasse mais? E se ela nem existisse? O que você faria se não tivesse vivido todos esses momentos que te fizeram chegar até agora, nesse minuto, nesse segundo, que agora faz você ler esse texto? A verdade talvez você nem queira saber, mas o “e se” que carrega essas perguntas, antes feitas, fazem você, no mínino, pensar em algo além da sua compreensão.

E se amor fosse um sentimento de repúdio? E se sexo nunca fosse tão prazeroso? E se a raiva fosse o sentimento mais comum entres os seres humanos? E se? E se o prazer maior fosse sentir medo, medo de morrer, de não ter, de faltar o pão de cada dia? E se nunca existisse a pobreza, só tivesse pessoas ricas, ricas de espírito, de humildade, de compaixão?

E se o mundo não fosse mundo, se o vento nunca soprasse, se o planeta não girasse e o sol parasse de surgir em cada manhã? E se?

E se eu deixar de te amar, de te abraçar, de te oferecer carinho, um ombro a quem chorar? E se, mesmo eu não te conhecendo, te amasse como irmão, te adorasse como um amigo, te abraçasse como se fosse o último dia da minha vida e te beijasse como um amante louco de amores?

Quantas possíveis verdades podemos tirar de tantas perguntas.

O que realmente nos difere é o fato dissimulado que Pablo Neruda uma vez escreveu e que até hoje carrego como a minha verdade: “A verdade é que não há verdade.” Seja você mesmo a própria verdade, seu próprio mundo! Quem sabe assim possamos dizer no final que vivemos as melhores verdades da vida.

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