Nossas 24 horas


Era como se tudo pudesse acontecer em átimos, vivíamos na eminência de qualquer coisa, mas tudo permanecia igual. O dia corria com suas 24 horas como era de costume: horas, minutos, e intermináveis segundos. Assegurávamo-nos no destino, tínhamos em mente que ele traria tudo, inclusive a felicidade que estava sempre na porta, quase entrando. Foi assim durante anos, se o sol não saísse desistíamos da praia, e por isso perdemos a oportunidade de tomar banho de mar e de chuva ao mesmo tempo. Nos tornávamos a cada dia mais idênticos a nós mesmos, construíamos nossa padronização de tudo, nosso primeiro nome se tornou monotonia. Certo dia um amigo perguntou-me: Em que você acredita: destino ou escolha? – No dia, eu não soube responder, pois tudo era tão automático que não estava acostumada a parar e pensar. Porém, hoje, acho que estou no meio dos dois, em cima do muro. Não consigo descartar nenhuma das possibilidades, pois somos muito do que escolhemos e nada acontece que já não esteja traçado em nossos destinos.
 
Tomado emprestado da Autora: Karol Coêlho. No link: aqui.