Crônicas de um José Tenório – Iguatemi


Creio eu não haver maior tortura nessa cidade do que andar de ônibus. Dentre todos os meios de transportes conhecidos para se deslocar por aqui, esse é, de longe, o mais usado. O  que chega a ser bastante lógico, já que não dispomos de nenhum outro, com exceção do famoso VLT que que só trafega em uma parte da cidade. Eu mesmo, por exemplo, desconheço alguém que já o tenha usado. Apesar de existirem projetos para criar uma nova linha dele em plena Fernandes Lima, somente isso não resolverá a calamitosa situação no trânsito de Maceió.

Os ônibus da cidade carregam consigo, além dos passageiros, histórias que o mitificam. Como as leis da física que deixam de existir quando você sobe num UFAL-Ipioca (quem foi que disse que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço?) ou do famoso Circular, que serve de City Tour para os desavisados. O mais curioso de todos, porém, é o José Tenório, tanto o Iguatemi quanto o Centro. Se acreditas na conhecida Lei de Murphy, ou se pelo menos já ouviu falar sobre (procura no Tio Google caso não) vai entender o motivo de falar sobre ela. Os José Tenório, em geral, respeitam apenas uma única lei universal: a de ir contra todas as suas expectativas. Observe que, quanto mais tempo passas no ponto esperando pelo seu ônibus desejado, maior é a quantidade de José Tenório (qualquer linha) passando. Em outras palavras, passam todos eles, menos o seu. Agora quando a questão é inversa, (você esperando por um José Tenório), passam todas as linhas, menos ele.

Claro que estou exagerando um pouco ao afirmar isso. Afinal, este texto não teria o sentido proposto caso fosse totalmente fiel à realidade.

Tágore Cavalcante