O Abraço do Caranguejo


O sol ainda se espreguiçava quando o barco em que estavam partiu. A captura dos caranguejos só podia ser feita com a maré ainda baixa, por isso sempre saíam cedo. Era sempre acompanhada por seu primo Marcos, um moreno alto que conhecia melhor do que ninguém os mangues da região. Ele e Rita não costumavam falar muito no trajeto até o manguezal, apenas iam , pegavam, e voltavam. Pouco tempo depois, já estavam com os pés naquela terra preta típica. Após encher a cesta com alguns deles, Rita entrou no mar e despiu a pouca roupa que usava. Enquanto tirava a lama, observava seu primo. Os músculos negros reluziam com o reflexo dos raios do sol que se dissipava nas gotas d’água daquele corpo sedutor. Olhou pela primeira vez com desejo para aquele homem. Levantou-se de dentro da água, revelando seu belo corpo nu: os seios fartos e as coxas grossas eram pura perdição. Marcos, encostado na beirada do barco, apenas observava aquela mulher aproximar-se dele. A sunga que usava não disfarçava a excitação que estava sentindo naquele momento. Quando Rita enfim encostou seu corpo no dele, agarrou-a com voracidade. Suas mãos grandes percorreram todas as curvas daquela morena. Ela, em puro êxtase, entregou-se totalmente.

Sem soltar aquele corpo quente, levou-a de volta ao mangue. Puseram uma toalha em cima da lama e desceram. Ela deitou de lado, de frente para ele. Marcos deitou entre as coxas de Rita, que passou uma das pernas por cima do corpo dele, logo abaixo do seu peito. Um pouco receosa por seu tamanho avantajado, e com um gemido alto, foi penetrada profundamente. O movimento frenético de vai-e-vem, seus corpos entrelaçados, transformando-se em um só. Não era possível saber onde começava Marcos nem onde terminava Rita. Os lábios buscavam ardentemente um ao outro, a respiração ofegante misturava-se com os sons da natureza ao redor. Ele a aperta com mais força, aumentando o ritmo. Rita sente dentro de si o latejar dos músculos, indicando o orgasmo do seu companheiro. Com os corpos ainda unidos, os movimentos cessam. Ficam assim por longos minutos, até que lembram que a hora do almoço está próxima. A toalha não tivera muita utilidade: levantaram-se com os corpos cheios de lama. Lavam-no e sobem no barco. Seguiram seu percurso de volta ao povoado sem trocar olhares, um pouco envergonhados. Apesar disso, não tinham dúvidas de que caçariam mais caranguejos a partir daquele dia.

(Ilustração <+18>  “O Abraço do Caranguejo“)