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Não tenho a mínima pretensão de te contar sobre meus pensamentos mais confusos e mais simples, afinal não quero que vá embora sem nem ter entrado.
Quem me vê passar, e isso não acontece apenas comigo, olha pro meu rosto, para meu corpo, para o sorriso, que pode até estar esquecido na face, pensa alguma coisa a meu respeito, sente-se atraído ou não.
Quem está um pouco mais próximo, no trabalho, por exemplo, gosta da minha educação ou acha exagerada, pode me achar prepotente e até louco, me vê desesperar para que algo dê certo, chorar, sorrir, esquecer sorrisos e devem rir com minha organização no local de trabalho, inexistente.  Devem comentar sobre os hábitos oblíquos, os livros atípicos que leio e devem pensar que vou envelhecer afugentando quem tenta entrar na minha vida.
Mas como disse antes, não pretendo te contar nada sobre mim, talvez quem já começa concluindo não mereça começar uma história comigo.
Te digo isso porque eu gosto do tempo, gosto de vê-lo trabalhar de maneira perfeita e inevitável, o tempo é invencível e extremamente competente, apesar de egoísta.
Quem me vê de longe não sabe das loucuras que faço, que penso, que sonho, não sabe das crises de identidade e das brigas que tenho comigo, com o tempo, com Deus.
Nem imaginam os dramas, emoções, decepções e recomeços da novela de dentro de mim.

Quem se aproxima mais um pouco, arrisca-se a bater na porta, ouve as músicas que gosto, minha voz – feliz ou triste, mas sempre cantando -, percebe que prefiro Soul e que adoro um samba e uns fados vezenquando… Quem se aproxima um pouquinho mais, ouve-me recitar Fernando Pessoa no meio do meu dia e pode perceber que talvez eu não seja tão especial, ou não.
Mais perto dá pra perceber que estou caminhando para frente, sempre, e que se ao virar a esquina eu cair, eu levanto em seguida e continuo a caminhar, dá pra perceber que sou meio de vidro emocionalmente também, mas eu me reinvento, me reconstituo. Não vai perceber meu choro, que é baixinho e nem vai notar as angústias e as magoas, são minhas e guardo aqui, afinal, você ainda está na porta…

Pra saber se é verdade o que pensam, o que falam, se procedem  os muitos julgamentos, já que não vou te contar, é preciso abrir a porta e concluir se sou ou não o monstro que esmaga ou afugenta quem ameaça invadir seu castelo, ou pântano.
Se a porta tiver difícil de abrir, bate bem forte, prometo deixar entrar. Ai você vai perceber que aqui tem alguém que precisa ser cuidado, que prefere cinema, que ama livros, que dança sozinho, que não sabe dançar e que não é chato e não é só isso.
Que adora rir, adora besteira e Jazz, adora música eletrônica e concertos clássicos e cigarros sem sabor…

Não tenho a mínima pretensão de contar nada sobre mim.
Abrindo um livro, pode-se esquecer da capa, apertando o play, pode-se esquecer do gênero, abrindo a porta de mim, pode-se esquecer do que disseram e se aproximar mais, bem mais, me jogar na cama e constatar que o iceberg tem fogo por dentro. Se tiver difícil de abrir essa bendita porta, bate mais forte, se a Bjork estiver cantando muito alto, dá um chute na porra dessa porta, o importante é que você entre!