Um dia esse texto te fará lembrar alguém


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Um dia acabou. Não foi rápido, violento, tão pouco inesperado. Apenas acabou. O ‘éramos um’ não existia mais. Nossos corações, antes orquestrados pela mesma sinfonia, agora batiam em ritmos e peitos diferentes.

Um dia acabou. Mas não acabaram os sonhos, as lembranças, as vontades, os desejos… nenhum fim de fato é um fim, até que acabem os sonhos, as lembranças, as vontades, os desejos…

Então um dia não acabou. Éramos jovens, nos amávamos, e, acima de tudo, tínhamos um ao outro. Por mais que nossos corações batessem em ritmos e peitos diferentes, ainda sim, tínhamos um ao outro.

Então um dia não acabou. E a vida também não acabou. Aprendemos o amor próprio, aprendemos a nos amar, aprendemos a dar chance a novos amores…

Então um dia acabou. Acabaram os sonhos, as lembranças, as vontades… mas ainda tínhamos o desejo. Desejar, agora, era também amar. E nos amamos. Nos amamos muito. Mas desejar é efêmero.

Então um dia acabou. E agora, não nos restam sonhos, vontades, nem desejos. Nos restam apenas lembranças, novos amores, e o silêncio. Amar também é saber silenciar. Amar é, também, permitir-se amar.

Tágore Cavalcante