Lembranças, desabafos!


polaroidrapha

 

“Nem preciso fechar os olhos; escuto uma música e presto atenção na letra, e vivo o que ela diz, e isso me basta. E chego a pensar em voz alta: Você não me encontra mais. Já estou fora da área de cobertura ou desligado. Desligado sim, mas de você, e do resto do mundo. Meus pensamentos me levam aonde nada mais pode um dia me levar, me frustram e me cansam, não param um segundo sequer para me deixar respirar e sentir o ar entrando e saindo de mim, e sendo assim… Me dá uma vontade de sumir às vezes, de fugir, escapulir, explodir, ou evaporar. Vontade também de fugir da minha cabeça, que entra em pane com as palavras, que não silenciam com o vento. Queria ficar sem fazer nada, de barriga pra cima e não me sentir culpado por isso. Beber e não me sentir feliz depois. Queria poder gritar sem ter reclamações alheias, queria enlouquecer e não ser chamado de louco. Queria ser o que não sou e em um segundo mudar tudo isso. Queria falar vários idiomas e conhecer pessoas de outros pontos do mundo. Queria não precisar achar as respostas para o que não há pergunta, desistir de tudo sem olhar para trás; não pensar em prós e contras e responder com o que vem a cabeça sem me arrepender das palavras jogadas ao vento. Possuir o dom silêncio para esconder todos os meus sonhos, medos, e raivas, e que assim, não me cobre tanto da vida. Ah quem me dera não cobrar tanto de mim mesmo! Queria contar uma grande mentira e ninguém nunca descobrir; queria ter um super segredo e uma visão de raio-x. Escolher a data que quero viajar e mudar de planos sem drama nenhum. Perder meu dom precioso e não sentir saudade dele. Esquecer que não sou perfeito e parar de tentar fazer as coisas da melhor maneira. Não depender de nada. Passar longe de todos os padrões e não me encaixar em nada ou em qualquer ideia que alguém possa ter.

Queria não ser eu. Não precisar ser completado e assim não me sentir inacabado. Sair na rua largado, bêbado e sem camisa, e não me constranger, abraçar quem eu quiser e não ser considerado esquisito. Me perder nos caminhos e não me preocupar com a volta. Caminhar sozinho mas confiar mais em mim mesmo. Dedicar as canções a mim e não chorar quando o peito aperta. Despertar no escuro e não precisar acender a luz. Ser guiado pelos ventos, raios e trovões e não desejar me segurar a nada, e nem parar por nada. Não me arrepender e nem ter consciência, fazer o que estiver afim sem medir o certo e o errado. Iludir-me com o cheiro das flores e nem perceber quão fatais são seus espinhos. Ser puramente envenenado e não sentir dor e nem misantropia com o fato. Correr o mais rápido que puder e ao cansar, me jogar sem medo ao chão. Ver tudo o que ainda não vi e não guardar nada, não viver de momentos e não ter saudade do que já passou. Apenas viver e presenciar as situações. Não ter sentimentos. E ao fim do dia, fechar meus olhos e dormir em paz, sem sonho nenhum, onde apenas o corpo descansa e a alma flutua, sem medo, sem desejo, sem vontade, sem querer, sem o bem e o mal, sem tristeza ou saudade. Baseando-se apenas no vazio que meus pensamentos já não devem mais atravessar. E eu amaria mais que tudo, meu minuto de paz, a minha paixão em viver, de ser o que sou, de ser um louco apaixonado por alguém como eu. Pois aqui eu cheguei, e aqui estou, com a certeza de que tenho muito a conquistar, e bem devagar, sem pressa, vivendo, e sendo quem EU SOU. Não preciso que me amem ou me respeitem, pois assim eu já faço.

Se remar é preciso? Continuarei remando… Mesmo que seja contra a maré. Pois o que importa é viver, é estar vivo. E ser feliz da melhor forma possível. Senhor, obrigado por tudo. E livra-me de tudo que não suporta meu sorriso aberto, minha risada alta, minha gentileza, minha educação, meu amor nos olhos, meu coração gigante, minha esperança eterna e a minha fé irreversível. Amém!”